Friday, June 09, 2006

Rumo ao Hexa



Este blogue está em recesso.

De 9 de junho a 9 de julho, estarei com todas as minhas atenções voltadas, obviamente, à Copa do Mundo, e nada na minha vida pacata será tão interessante quanto 32 países se enfrentando pela glória do futebol.

Fica o convite para você, leitor amigo, acompanhar o Mundial da Alemanha no Barbirotto na Copa. Prometo textos diários sobre o que contecerá nos campos germânicos, com muita ginga e o verdadeiro futebol-arte.

Sunday, June 04, 2006

Entre os primeiros



Saída de jogo. O Fluminense recua a bola para a defesa, troca alguns passes e se acerta em campo. Então, Romeu tenta sair jogando e perde a dividida para Fernandão, que avança com a bola dominada e abre na esquerda, para Rafael Sóbis. O cruzamento sai rasteiro, para dentro da área, onde está Iarley, livre de marcação, para fazer 1 a 0.

Nem o colorado mais fanático, ansioso por uma vitória fora de casa, poderia esperar que o Internacional precisasse de apenas 27 segundos para abrir o placar, no Maracanã. Acontece que a marcação sob pressão, que funcionou muito bem no ataque, deixou a desejar na defesa. Apesar dos três zagueiros, o Colorado cedia generosos espaços ao veloz ataque tricolor. Como no gol de empate, de Jean, que driblou Índio com facilidade e tocou na saída de Clemer, após receber ótimo passe de Juliano.

O mesmo Índio poderia ter deixado o Colorado em vantagem, novamente, ainda no primeiro tempo. Mas, dentro da área, o zagueirão não se decidiu entre chutar a gol e fazer o cruzamento, e permitiu que a zaga do Flu se recuperasse. Menos mal que logo no início da segunda etapa o Inter marcou novamente. Desta vez, em bola parada: Jorge Wagner, sempre ele, bateu fechado e o lateral-direito Radamés mandou pro fundo das redes, fazendo um gol-contra.

Se Tinga não jogava bem, Perdigão, em lugar de Fernandão, ditava o ritmo do jogo. O problema seguia no setor defensivo. Que, com a expulsão de Edinho, apenas se agravou. No gol de empate, mais uma vez um jogador do Flu estava livre: Tuta recebeu o passe - na verdade, um balão da defesa - e teve tempo de dominar no peito e girar antes de concluir. Bolívar recuou, em vez de dar o combate, e o chute saiu mascado, rente ao gramado, enganando o goleiro Clemer: 2 a 2.

A expulsão de Thiago Silva, minutos depois, foi providencial para a equipe de Abel Braga. O Fluminense empilhava atacantes e partia para o ataque. E foi em um contra-golpe muito bem executado que Perdigão viu Iarley na entrada da área, pelo lado esquerdo. O passe saiu milimétrico, e o atacante só deu um leve toque para encobrir Fernando Henrique e decretar a vitória do Colorado: 3 a 2.

Mais do que manter a invencibilidade da equipe como visitante, a vitória confirma o Internacional no topo da tabela de classificação. Com 21 pontos e seis vitórias em 10 partidas, a equipe só perde o primeiro lugar, para o Cruzeiro, nos critérios de desempate.


Brasileirão 2006
Fluminense 2 x 3 Internacional
Maracanã, Rio de Janeiro

Friday, May 26, 2006

V de vitória. E um pouco de v de vingança



O Internacional vai ganhar. Eu disse isso mais de uma vez, ontem. Porque é mais do que sabido que o Inter tem dessas: perde alguns jogos bobos - como o do sábado passado, contra o Figueirense - mas vence, com certa autoridade, quando o adversário é de respeito - como foi contra o São Paulo, também no Beira-Rio.

Motivação é a palavra. O Colorado é aquele tipo de time que sempre precisa estar motivado para jogar bem. (Mal comparando, é o mesmo que a Seleção Brasileira.) E que maior motivação que enfrentar o Corinthians, justamente o time que lhe roubou o título nacional, no ano passado? Mais: em São Paulo, na casa deles? Não poderia ser diferente: o Colorado mandou no jogo, no primeiro tempo. Com Edinho, Fabinho e Alex, além da volta de Tingaz no meio-campo, a bola estava sempre com o time do Abel. Logo no início, Fernandão fez um gol, de cabeça, mas o árbitro anulou bem, já que o capitão colorado estava impedido no início do lance.

A questão é que o Inter estava muito bem armado, e o gol estava para acontecer. E aconteceu, quando Fernandão fez uma grande jogada pela esquerda, passando pela marcação e cruzando rasteiro pra dentro da área. Bem onde estava Tinga, que teve tempo de dominar e bater no contrapé de Sílvio Luiz.

Só que um time que tem Marcelo Mattos, Gustavo Nery, Rosinei, Roger e outros menos cotados não pode ser considerado presa fácil. E o Corinthians incomodou. Demais. Principalmente com Marcelinho, de volta ao Timão depois de 5 anos. O cara pode ser trintão e estar meio fora de forma, mas bate na bola como poucos. Faltou, a bem da verdade, companhia pro Pé-de-Anjo.




E o segundo tempo não foi diferente. Jorge Wagner se soltou mais, Alex passou a jogar mais para o time e o Inter tinha controle total da bola. O único setor que destoava era o ataque: Iarley não conseguia vencer a marcação, e Fernandão ia para o chão a cada trombada com os zagueiros. Por isso, fez bem o Abel em colocar o Rentería em campo. Mesmo que não viesse a jogar bem como a torcida sempre espera, o colombiano gosta desse tipo de jogo, de partir pra cima dos zagueiros, de ir pro mano-a-mano.

No meio, o time começou a cansar com o passar do tempo. Primeiro Tinga, que voltava de quase dois meses de inatividade. Depois, Fabinho, exausto após impedir Roger de jogar. E aí foi o momento de o Inter mostrar que tem grupo: Wellington Monteiro e, na sequência, Chiquinho entraram bem e ajudaram o time a manter o controle do jogo. O Corinthians foi pra cima, é claro, e Fabiano Eller quase entregou o empate ao tropeçar no salto alto, mas Clemer estava em boa noite - e, quando isso acontece, é sinal de que o Colorado vai se dar bem.

Enfim, o Internacional venceu (como eu havia dito, diga-se de passagem). E merecidamente. Foi só por 1 a 0, mas o placar não fez juz ao que o time produziu em campo. São mais três pontos que deixam o Colorado na 3ª colocação, com o mesmo número de pontos do líder Cruzeiro - exatamente seu próximo adversário.

O Beira-Rio vai tremer no próximo domingo.


Brasileirão 2006
Corinthians 0 x 1 Internacional
Morumbi, São Paulo


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P.S.: o ótimo título do post é do Rodrigol, meu companheiro de arquibancada.

Sunday, May 21, 2006

Chance perdida



Que um dia a invencibilidade do Internacional acabaria, até mesmo o torcedor mais apaixonado sabia. Ele só não esperava que fosse exatamente para o modesto Figueirense. Nem que seria de goleada. E, muito menos, em pleno Beira-Rio.

É bem verdade que a equipe catarinense estava em noite inspirada. Dos nove bons ataques que culminaram em chances de gol, o Figueira marcou em quatro (ou seja, um aproveitamento de quase 50%). E o primeiro deles, logo no início de jogo, com Schwenck. Não demorou para o Colorado empatar - Fernandão converteu pênalti sofrido por Rafael Sóbis -, mas a noite parecia ser, mesmo, catarinense. Antes que terminasse o primeiro tempo, mais uma vez Schwenck colocou sua equipe em vantagem no placar.

Chovia e fazia frio nas arquibancadas do Gigante. No campo, o time de Adílson Batista jogava como queria. Nem bem começara o segundo tempo e Cícero fez o terceiro gol dos visitantes, mexendo com as convicções de Abelão. Saíram Fabinho e Renteria, entraram Chiquinho e Iarley. E quando se pensou que o Inter poderia buscar o empate, quiçá a virada, Fininho avançou pela esquerda e cruzou para Thiago Silvy fazer o quarto gol do Figueira.

Ceará descontou poucos minutos depois, mas não havia tempo nem ânimo para a reação. E o placar ficou mesmo em 4 a 2 para os visitantes.

Surpreendente. Humilhante. Revoltante. A derrota do Internacional para o Figueirense foi, literalmente, um banho de água fria no ânimo colorado. Nem tanto pela perda dos quase dez meses de invencibilidade em casa, mas pela forma e, principalmente, pelo momento em que aconteceu. Vencesse, e o Inter poderia terminar a rodada líder isolada; derrotado, sobrou à equipe torcer pelo fracasso dos seus inimigos.

Não era o que o torcedor colorado esperava para uma noite de sábado.


Brasileirão 2006
Internacional 2 x 4 Figueirense
Beira-Rio, Porto Alegre

Wednesday, May 17, 2006

Fernandão



Fernandão é a bola da vez. Não há colorado, seja torcedor, dirigente ou conselheiro, que não se pergunte: onde joga o capitão do Internacional? Porque Fernandão chegou ao clube como meia. Mais exatamente ponta-de-lança, o famoso nº 1 do Zagallo, aquele que chega ao ataque com facilidade, auxiliando os homens de frente. Foi assim que ele fez sua melhor temporada pelo Colorado, o que lhe rendeu uma convocação para a Seleção Brasileira.

Com o passar do tempo, entretanto, Fernandão foi sendo colocado cada vez mais à frente, devido à sua grande qualidade técnica. Muricy Ramalho o escalava como meia, segundo atacante ou centroavante, de acordo com o adversário. Já Abel Braga se resolveu: o capitão colorado seria seu nº 9, seu homem de área, seu homem-gol.

Dois gols na estréia na nova posição animaram a torcida (e o jogador), mas a escassez de gols fez com que Fernandão mudasse de idéia. E com que ele conversasse com Abel Braga, pedindo uma nova chance na sua posição de origem, no meio-campo. Para o técnico colorado, na frente Fernandão é 1ª opção; no meio, brigará por posição.

Onde joga Fernandão?, pergunta o torcedor colorado.
Cabe a Abel Braga responder.